English is back!
Confesso que a minha expectativa para esta sequela não estava muito elevada, muito por causa das mudanças no elenco e no paradigma do último filme. Esqueci-me do mais importante, o denominador comum: Rowan Atkinson. Com algumas mudanças de estilo, soube sempre cativar aqueles que estavam na sala levando a momentos de gargalhada total. Gostei especialmente da cena da perseguição no The Mall (1.45 no trailer). Recomendo vivamente o filme!
Académica 0 – 3 FC Porto (7ª Jornada)
Estádio Cidade de Coimbra
Domingo, 2 de Outubro 2011 – 20h15
E depois da tempestade, veio a bonança. Era muito importante para o Porto ganhar este jogo. Respondemos com uma exibição segura e à campeão. Não pela qualidade do futebol apresentado (notou-se em muitos momentos falta de paciência na construção, muito passe longo), mas pela convicção e assertividade dignas do nosso nome. Pereira não inventou e colocou Walter no lugar de Kléber. Bigorna não se faz rogado e marca ainda antes da meia hora – melhor era impossível.
Apesar de nutrir alguma simpatia por esta Académica – não só pelo treinador, mas pelo conjunto interessante de jogadores que tem e pela mentalidade que empresta o jogo – foi com naturalidade que vi os jogadores do Porto mostrarem a sua qualidade superior, mesmo sem deslumbrar. Mais uma nota de destaque para James, esperto no segundo golo – belo registo no campeonato até agora!
O terceiro golo surge numa fase em que a Académica já estava balanceada no ataque, num contra ataque exemplar concluído por Guarín. Os dragões deram uma resposta à campeão como se foi falando ao longo da semana – missão cumprida! Foi uma vitória de extrema importância antes da interrupção de duas semanas no campeonato. Estamos na luta e não vamos falhar facilmente!
Imagem de MaisFutebol
Zenit 3 – 1 FC Porto (2ª Jornada – Champions League)
Estádio Petrovskiy, São Petersburgo
Terça, 27 de Setembro 2011 – 17h00
Tudo o que podia correr mal neste jogo correu. O Porto até começa a ganhar com a boa jogada do golo do James, mas o que sucedeu a esse momento foi uma sucessão de eventos inexplicáveis. Senti a equipa muito desunida, sem chama e sem conseguir pressionar. O massacre que sofremos no final da primeira parte fazia adivinhar o golo dos russos, que têm uma equipa com muitos jogadores acima da média. Aliando isso ao azar da lesão de Kléber (fora por umas semanas certamente, e com o sonho da selecção adiado) e a má escolha de Belluschi em detrimento de, por exemplo, Guarín, ajudaram ainda mais a que tudo corresse mal.
O lance do segundo amarelo de Fucile é, no mínimo, ridículo. Já desde o jogo com o Benfica que o uruguaio tem vindo a descer. A falta de soluções de banco e os “inventanços” do treinador, com o ex-libris de Defour a extremo esquerdo na fase final do jogo, acentuaram ainda mais. Estou certo que saí deste jogo, à semelhança da esmagadora maioria dos adeptos portistas, não preocupado com a posição do Porto para o apuramento para a próxima fase (nem considero a possibilidade de tal não acontecer) mas sim com os jogos num futuro mais próximo (Coimbra, pois claro).
Todos estes defeitos não colocam em causa a continuidade de Vítor Pereira. Só quem lá está sabe o quão difícil é tomar sempre as melhores decisões, e eu acredito que o nosso treinador certamente aprenderá com os erros e melhorará as suas escolhas e o futebol da equipa. É preciso mais, e é o apontar dos defeitos que nos torna mais fortes e nos faz querer fazer melhor. É por isso que este post é tão amargo – para que o próximo possa ser mais doce. É esta a minha convicção!

FC Porto 2 – 2 Benfica (6ª Jornada)
Estádio do Dragão, Porto
Sexta-Feira, 23 de Setembro 2011 – 20h15
A herança que vinha do ano passado trazia ao jogo uma carga emocional elevadíssima para ambas as equipas. Pessoalmente, nunca acreditei que algo semelhante se pudesse repetir. Não por falta de confiança na equipa, mas por achar que o Benfica está melhor e o Porto pior, para além de se tratar de uma fase da época diferente. Analisando as equipas, a ideia que passou é que os treinadores iam jogar sem grandes complexos. Nenhum “”inventou” muito, sendo até surpreendente para mim como é que Jesus jogou com Nolito e Gaitán de início.
O Porto teve uma primeira parte de nível altíssimo. Com uma pressão sufocante, tirava a iniciativa de jogo aos adversários sem recorrer sequer à falta (contei três faltas na primeira parte). O golo de Kléber (excelente gesto técnico) veio trazer justiça ao jogo. O Benfica não conseguia ligar uma única jogada, Aimar esteve perdido toda a primeira parte (Fernando, fantástico) e Witsel esteve sempre muito remetido a funções defensivas ao lado de Javi Garcia.
O início da segunda parte trouxe um momento fatal de distracção que deu o empate imerecido ao Benfica. O 2-1 chega numa boa combinação que trocou as voltas todas à marcação à zona dos encarnados: Otamendi continua a mostrar não só uma regularidade impressionante a defender (dos melhores em campo) como uma interessante veia goleadora. Os problemas surgiram, paradoxalmente, depois de estar em vantagem.
O Porto sentou-se na poltrona. Baixou o bloco e assumiu uma atitude passiva perante o jogo. Abdicou do aproveitamento os espaços que irremediavelmente se iriam abrir. Abdicou da sua identidade. A somar a tudo isto, Pereira ainda veio dar uma ajuda à festa e tirou o melhor elemento do Porto (quer pela pressão, quer pelo envolvimento no ataque). Saiu Guarín, entra Belluschi. E deveria ter saído Varela, que há muito não podia com as pernas. Ali senti os dois pontos a “voarem”. O grande golo de Gaitán vem encher o olho dos adeptos e o ego do seu treinador. Se não fosse o seu génio, esta malta estava a lutar para não descer, claro está.
Todos sabemos que é muito fácil dar palpites quando se está de fora. No entanto, qualquer adepto minimamente atento sabe como o Porto funciona e sente que se podia ter feito melhor. Atitudes como as de hoje fazem lembrar erros do passado, e ninguém deseja isso. É preciso acordar para que, dos muitos pontos que ainda faltam disputar, não hajam muitos mais a fugirem desta maneira.

Imagem de Record.pt
PS – Uma nota para a boa arbitragem de Jorge Sousa. A meu ver, a jogada entre Fucile e Cardozo foi bem avaliada – existe apenas ímpeto. Alguns amarelos que saíram um pouco rápido, mas de resto nada a assinalar. Positivo para o futuro.
FC Porto 2 – 1 Shakhtar Donetsk (1ª Jornada – Champions League)
Estádio do Dragão, Porto
Terça, 13 Setembro 2011 – 19h45
Finalmente ouve-se o hino da Champions no Estádio do Dragão novamente. Já tinha saudades! Os adversários foram os ucranianos do Shakhtar Donetsk, equipa que tem dominado no panorama doméstico, juntando uma defesa sólida composta por jogadores de leste com um conjunto de jogadores brasileiros do meio campo para frente com índices criativos muito acima da média. Parece um pouco simplista, mas é esta a fórmula que colocou o Shakhtar no panorama europeu nos últimos anos.
O jogo começou como o esperado, com o domínio do Porto. Fernando voltou à equipa, que neste jogo necessitava de um meio campo um pouco mais contido que o da segunda parte com o Vitória de Setúbal. Cedo se notou que a sorte não esteve do nosso lado, com bola à trave a abrir e penalty falhado, também no poste. Para acrescentar a isto, o golo dos ucranianos – momento infeliz de Helton, não segurando remate fácil de Willian. Luiz Adriano, oportunista, tem o mérito de ter acreditado até ao fim. Porto a perder em casa.
Nada mudou. Porto continua a pressionar em busca do primeiro, que chega num misto de fúria e inspiração cujo adjectivo coincide com a alcunha do protagonista. Incrível redimiu-se do penalty falhado. O intervalo não chegaria sem o momento bárbaro da entrada sobre João Moutinho. Não pode haver qualquer contestação relativamente à decisão do árbitro.
Na segunda parte, o jogo mostrou a mesma face. Porto a carregar em busca do golo e o Shakhtar em busca de momentos de inspiração dos seus jogadores brasileiros. Destaca-se o jogo decepcionante de Jadson, sempre muito vigiado. Eduardo não teve hipótese de brilhar, sacrificado após a expulsão do seu colega de equipa. O golo do Porto chega num momento de génio de James, o jogador em melhor forma do plantel por larga vantagem – Kléber só confirmou. Os dragões tentaram romper a reduzida equipa do Shakhtar como os livros dizem – circulando a bola na tentativa de abrir espaços – mas Lucescu abdicou claramente de unidades dianteiras em prol da segurança defensiva. Conclusão: a inferioridade numérica (que se viria a acentuar com a segunda expulsão) não se fez sentir muito a nível defensivo.
Enquanto via o jogo pensava que dificilmente nos iria escapar a vitória, mas tive sempre aquele receio que uma bola parada ou um lance furtuito fizesse gelar o Dragão. O Shakhtar tem jogadores com qualidade individual para isso, como se pôde ver pelo golo que marcaram – sem terem feito muito por isso. Prevejo um jogo muito complicado fora de portas, naquele que será claramente o mais duro teste desta fase da competição. Espera-se que nessa altura as coisas estejam calmas nas contas do apuramento.

imagem de uefa.com
FC Porto 3 – 0 Vitória Setúbal (4ª Jornada)
Estádio do Dragão, Porto
Sexta-Feira, 9 de Setembro 2011 – 20h15
Melhor jogo do FC Porto até ao momento. O Vitória de Setúbal, composto por um conjunto de jogadores experiente e de grande qualidade, apresentou-se no Dragão como uma equipa cuja principal função era fechar espaços e tentar sair rapidamente para o ataque através das investidas de Gonçalves ou Pitbull. Zé Pedro, Neca e Hugo Leal eram os lançadores. Com Cristian Rodriguez a titular, Pereira emprestou à equipa o repentismo que o preventivamente ausente Hulk não pode dar (pelo menos durante todo o jogo). Moutinho também descansou em detrimento de Defour, dos melhores em campo.
Por mero azar os dragões não foram para o intervalo a vencer, com bolas nos ferros de Rolando e Souza. Ao intervalo e face às características do jogo, Pereira, lança Moutinho e retira Souza, recuando Defour no jogo. A decisão não podia ter sido mais acertada: menos de dez minutos em campo chegaram ao internacional português para marcar de longa distância e o belga fez um jogo fantástico numa posição mais recuada, alternando entre cortes providenciais e uma enorme clarividência no passe. Atrevo-me a dizer que estamos perante uma óptima solução para trinco em muitos dos jogos em casa. Belluschi esteve, igualmente, a um nível altíssimo – o último golo foi o prémio merecido.
Passando agora para o ataque, James Rodriguez parece estar numa grande fase, com 3 golos em 2 jogos. Varela terá dificuldade em entrar na equipa num futuro próximo. Kléber parece estar a afinar melhor nas combinações com os colegas. Hulk entrou a meio da segunda parte mas ainda veio a tempo para fazer duas assistências (destaque para a jogada do segundo golo do Porto, sublime). Cristian mostrou muita raça, Djalma trouxe alguma irreverência ao jogo.
Resumindo e concluindo, Porto atingiu esta noite níveis exibicionais que se aproximam aos da época passada – e isso, só por si, serve colocar um sorriso na cara dos adeptos. E importa referir que jogadores como Otamendi, Guarin ou Varela nem sequer estiveram no banco. Venha o Shakhtar!

PS – Deixo aqui um apontador para uma crónica que explica de um modo muito mais eloquente o que se passou hoje: http://www.maisfutebol.iol.pt/fcporto/fc-porto-v-setubal-maisfutebol-futebol-futebol-iol/1279186-1304.html
União de Leiria 2 – 5 FC Porto (3ª Jornada)
União de Leiria 2 – 5 FC Porto
Estádio Municipal da Marinha Grande
6 de Setembro de 2011 – 20h15
Era grande a expectativa para ver este FC Porto pós-Supertaça Europeia em acção. Uma equipa que não está habituada a perder precisa rapidamente de um bom resultado para esquecer rapidamente o desaire. Nesse aspecto, esta sequência de jogos Leiria-Setúbal pode ser determinante para mandar um sinal forte para a concorrência, mostrando que estamos aqui para ganhar isto. Ainda maior importância mostra face à inexistência do tão falado reforço para o ataque.
E foi precisamente na posição do ponta-de-lança que o Porto foi decisivo hoje. Kléber bisou, estreando-se a marcar em jogos oficiais – bom sinal para o futuro, deseja-se a continuidade daqui a três dias no Dragão. James surge pela primeira vez na equipa e demonstra que a sua evolução fará dele um elemento ainda mais preponderante esta época. Implacável no momento da decisão, marcou dois golos e esteve presente noutros dois (assistência para Kléber e passe para as costas da defesa para assistência de Álvaro). Varela, apesar do golo, tem motivos para estar preocupado.
Uma palavra ainda para Hulk, que mesmo com pouco tempo de descanso mostrou boa atitude (mesmo quando as pernas não o deixavam ajudar Fucile nas investidas de Schaffer). Sai lesionado a meio da segunda parte e certamente não será opção frente aos sadinos. Desejos que rápidas melhoras a tempo da Champions.
Importa também salientar o modo corajoso como Pedro Caixinha abordou este jogo. Apesar de ainda não ter pontuado neste campeonato, a União apresenta bom futebol. Certamente será uma questão de tempo até sair do lugar onde se encontra, e o próximo desafio em Aveiro afigura-se muito difícil face ao bom início dos aveirenses. Como seria de esperar, o fulgor físico não durou para sempre, apesar de em muitos momentos a pressão dos leirienses ter deixado em sentido a defesa do Porto (servindo de exemplo paradigmático o lance de perigo junto a Hélton que antecedeu o inaugurar do marcador), a qualidade individual dos jogadores (e, por consequência, o aproveitamento dos erros do oponente) acabam por ditar um resultado exagerado. Destaca-se também o azar da União de Leiria, em ascendente no jogo antes deste ser interrompido por uma falha na ilumicação.
Em suma, mais três pontos colocam o Porto naturalmente na liderança e dão o espaço necessário para integrar alguns jogadores – de que foi exemplo Defour, que poupará muitos minutos a Moutinho – e receber outros de volta. Venha o próximo!
Imagem de MaisFutebol
Barcelona – FC Porto (Supertaça Europeia)
Jogo mais antecipado da época até agora. Finalmente chegou a hora de enfrentar aquela que para muitos é a melhor equipa de sempre, a que proporciona momentos de entretenimento puro que deixam qualquer um agarrado à TV como se de um filme de suspense se tratasse. Barcelona de Guardiola, Messi, Xavi, Iniesta… esperem lá, preciso mesmo de dizer o plantel todo?
Barcelona 2 – 0 FC Porto
Estádio Louis II, Mónaco
26 de Agosto de 2011, 19h45
Nas conversas que fui tendo com camaradas portistas antes do jogo, o sentimento era mútuo: havia a esperança de fazer frente a esta super-equipa, mas o realismo levava a maior parte dos adeptos a aceitar uma derrota por poucos como um fim aceitável. Eu entre eles. Foi das poucas situações em que considerei esta hipótese, e nenhum conhecedor da realidade me poderia culpar.
Com o início do jogo, vi as minhas expectativas superadas. Com maior ou menor precisão ou pulmão, penso que já todos sabem o que é necessário fazer para travar o padrão de jogo “normal” (leia-se, retirando os momentos de brilhantismo que qualquer um dos seus jogadores do meio campo para a frente podem ter) deste Barcelona – pressionar alto, cortando as suas principais fontes de jogo (numa primeira fase de construção pelas saídas na defesa (neste jogo mais por Mascherano e Dani Alves), numa segunda policiando sem misericórdia as conduções de Xavi e Iniesta). Nota de mérito para Moutinho e Guarín, inexcedíveis nesta missão. Como se isto ainda fosse fácil, a defesa teria de ter um posicionamento cirúrgico em campo, muito subida no terreno e sempre coordenada a subir em bloco. Outra missão bem conseguida (bastava olhar para os foras-de-jogo a amontoarem-se e para a frustração de Villa a construir-se).
Tudo corria como planeado até ao momento fatídico aos 39′. Não há muito mais a dizer para além do que todos viram. Os melhores do mundo também o são com sorte, que bafejou um cansado Messi quando este menos merecia – fisicamente diminuído, regressava a passo na transição defensiva da sua equipa. O resto fica para Hélton contar.
Mesmo com esse erro e com os outros erros do árbitro (penálti claro sobre Guarín, eventual mão de Villa na área do Porto), importa reflectir o que seria do jogo caso se mantivesse o nulo ao intervalo. Favoreceria o menos favorito, mas até quando iriam aguentar os dragões um jogo que, mental e fisicamente, é tão desgastante? Correr atrás da bola e cancelar o jogo ofensivo de uma equipa é importante, mas sem argumentos para marcar, o Porto foi um fraco teste para a defesa do Barça. E aqui entra a outra questão: falta de soluções no ataque: Cebola foi uma boa ideia mas que tinha muito para correr mal (problemas físicos, falta de entrosamento, etc etc), Kléber precisa de tempo, Varela está mal, James chegou segunda-feira apenas, Iturbe está verde… E o tão prometido avançado está por chegar. A enorme quantidade de indefinições no plantel e a falta de soluções para o ataque fizeram com que o trabalho de Vítor Pereira neste jogo tenha ganho ainda mais mérito. Não se lhe podia exigir mais.
Relativamente ao final do jogo: o golo de Fabregas e as expulsões de Guarín e Rolando nada mais foram que o expoente máximo de uma equipa irremediavelmente esgotada a todos os níveis. Coube aos jogadores do Barcelona, com mestria e classe inigualáveis, dar a estucada final, arrecadando mais um troféu para o museu blaugrana – mesmo sem uma exibição brilhante.
Mesmo tendo perdido, este jogo deixou-me descansado em relação ao futuro. É preciso definir o plantel de uma vez por todas – e ir, sem falta, buscar um ponta-de-lança e um defesa-esquerdo de qualidade inegável para o caso de Álvaro sair – para que se possam enfrentar os próximos desafios com confiança. Com tudo isto, acredito que o FC Porto tem condições para formar um grupo capaz de, além de vencer o campeonato, fazer uma boa campanha europeia ficando em primeiro lugar no seu grupo. Por mais que custe à concorrência admitir, temos uma equipa que consegue competir com os melhores da Europa.

imagem de uefa.com
PS – Uma nota para Souza: depois de toda a “porrada” que lhe fui dando nas crónicas de jogo anteriores, devo salientar o excelente jogo que fez contra o mais difícil adversário. Por vezes este tipo de jogo ajuda jogadores com dificuldade em se impor a ganhar a confiança suficiente para se tornarem pilares nas suas equipas. Espero que este tenha sido um deles. Uma nota também para Otamendi, para mim o melhor nos dragões.
FC Porto – Gil Vicente (2ª Jornada)
Primeiro jogo em casa do Campeão. A este assisti in-loco (saudades de ver um jogo no Dragão
)
FC Porto 3 – 1 Gil Vicente
Estádio do Dragão, Porto
19 de Agosto de 2011, 20h15
Primeiro jogo do FC Porto pós-Falcao. Antes de passar ao comentário do jogo, realço o bom negócio feito pelo FC Porto. Importa mencionar que o jogador estava claramente a forçar a saída, e nem assim o negócio foi feito à pressão e por valores muito abaixo dos estipulados. Saiu abaixo da cláusula é certo, mas os possíveis 47 Milhões (se forem atingidos os objectivos) são um encaixe histórico. Em relação a Ruben Micael, compreende-se a decisão de sair face às dificuldades em se afirmar no onze inicial, mesmo que isso represente um passo atrás na carreira.
O jogo começou muito mal, com um penalti conta depois de uma perda de bola absolutamente incompreensível de Souza (sim, outra vez ele). Estar a perder tão cedo no jogo poderia ser um problema, mas a equipa soube reagir. Empatou pouco tempo depois com um penalti algo duvidoso, colocando-se em vantagem de canto (Sapunaru continua a marcar pontos, agora na fase ofensiva). Estava virado o resultado, mesmo sem terem feito muito por isso.
A equipa do Gil Vicente surgiu no Dragão bem armada. Nota-se que Paulo Alves trabalhou bem os seus jogadores para este difícil arranque de campeonato. Mas não se fazem omoletes sem ovos, e a este Gil Vicente faltam alguns jogadores em posições-chave (nomeadamente na direita da defesa e no meio campo). Viver dos empréstimos de outros clubes e do recrutamento a clubes-satélite pode ser uma aposta de risco quando o campeonato estiver numa fase mais avançada e a pressão aumentar. Mas acredito que o Gil tem qualidade suficiente para permanecer no principal escalão, onde pertence.
Em relação à prestação do FC Porto, foi mais uma vez bastante pálida. Destaques (pela negativa) para Moutinho, Varela e Souza (mais uma vez). Já se sabe que nesta fase que a vitória é o mais importante e que no ano passado a equipa também não deslumbrou no início, mas a exigência no Dragão é sempre elevada como se denotou pelos assobios que a equipa ouviu ontem em muitos momentos do jogo. Pela positiva, destacou-se Hulk mais uma vez (presente nos três golos) mas também Sapunaru, cada vez mais uma opção sólida na direita.
Preocupa-me um pouco que a equipa ainda esteja pouco oleada a uma semana da Supertaça Europeia. Se um Barcelona em claro défice físico já está a jogar como todos viram na Supertaça Espanhola, afigura-se uma missão muito difícil. Talvez fosse uma boa opção para esse jogo a inclusão de uma unidade adicional no meio campo (para quando a definição da situação de Fernando?) em detrimento de Kléber ou Varela, para ganhar os duelos nesse sector. Parece-me que é no bloqueio da segunda fase de construção do Barcelona que estará a chave para a vitória. Boa sorte dragões, deixem-nos orgulhosos!

imagem de record.pt
Vitória Guimarães – FC Porto (1ª Jornada)
Ao terceiro jogo consecutivo entre estas duas equipas dá-se o início do Campeonato. Duas equipas que já se conhecem muitíssimo bem.
Vitória de Guimarães 0 – 1 FC Porto
Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães
14 de Agosto de 2011
Duas alterações no FC Porto relativamente ao jogo da Supertaça, saíndo Maicon e Ruben Micael para entrarem Otamendi e Freddy Guarín. A inclusão deste último (e a não inclusão de Falcao) deixou em mim um sentimento de desconfiança relativamente à situação do avançado colombiano, confirmada com as suas declarações no final do jogo. Em relação do Vitória, sem alterações nos nomes em relação ao jogo da Supertaça, mas com uma nuance táctica: os médios-ala (quase extremos no 4x2x3x1 de Machado nesse jogo) recuaram mais fazendo uma linha de 4 no meio campo, actuando Barrientos num apoio mais declarado a Toscano. Notou-se um aumento significativo no rendimento de Barrientos, apesar do constante desperdício. Mérito para Machado.
O FC Porto teve momentos em que o jogo esteve descontrolado, sendo massacrado pelo adversário que só pecou pela falta de eficácia (ou num ou outro momento com grandes intervenções de Hélton). O meio campo ainda não consegue ser suficientemente pressionante (volta Fernando, estás perdoado) e o ataque com Kléber em vez de Falcao não é (nem será, a curto prazo) a mesma coisa. O golo da vitória, fruto de um penalty existente e desnecessário de Leonel Olímpio, traz um resultado que mascara uma pobre exibição.
Vou, no entanto, dar o benefício da dúvida e deixar que o desenvolvimento da equipa se dê de um modo tranquilo e gradual. No entanto, não me parece que alguns dos nomes nos quais Vítor Pereira tem insistido sejam solução (pelo menos a titulares). Souza não tem nem nunca terá o rendimento de Fernando a trinco. Poder-se-ia eventualmente adaptar a um modelo com um duplo-pivot, não compatível com o modelo utilizado regularmente pelos dragões. Possíveis soluções: duas que representam desperdício (Moutinho ou Castro), uma que depende do jogador (Fernando) e uma última que depende do tempo (Danilo). Já relativamente ao caso de Rúben, é de mais simples resolução: com a quantidade de soluções que existe, terá de se contentar com um sistema de rotatividade do plantel (como aconteceu na época passada).
O facto de estar a fazer uma análise ao plantel do FC Porto na crónica deste jogo é sintomático. A enorme indefinição no plantel, que se deverá arrastar até ao final de Agosto, não traz nada de bom ao grupo. Compreendo que um melhor negócio exija este tipo de sacrifícios, mas deve-se sempre ter em conta a estabilidade do grupo. Porque sem isso, toda a época pode ficar comprometida.
Salva-se a vitória do FC Porto numa deslocação difícil, colocando-se desde já à frente dos três adversário directos – Benfica, Sporting e Sporting de Braga. Deseja-se uma melhoria no jogo da 2ª Jornada no Dragão frente ao Gil Vicente, seja qual for o onze escolhido. É essencial um bom início de campeonato, mais que exibições com nota artística elevada, e é nisso que se tem de pensar agora. Apoiemos a nossa equipa mesmo quando as saudades do futebol espectacular do ano passado apertam cada vez mais… Vamos Porto!
